Regressão


Técnica de Vivência Transpessoal

Para ter uma compreensão mais ampla do sentido desta técnica recomendamos a leitura da página Psicologia Transpessoal.
A técnica comumente conhecida como “regressão de memória” é associada à Psicologia Transpessoal.  Neste método de trabalho o paciente entra num estado alterado de consciência para permitir o acesso a registros do Inconsciente. Esses estados alterados podem ser alcançados por meio de relaxamentos chegando o cérebro a ficar na freqüência alfa (estado entre acordado e o sono). Freud utilizava o método de hipnose para acessar esses conteúdos. Outra forma de conseguir o estado é com exercícios respiratórios. O mais importante nestas técnicas é que o paciente mantenha a consciência durante todo o processo. Lembremos que a Psicologia Transpessoal objetiva a ampliação de Consciência.
E o que acontece nesta técnica?
Existem conteúdos que de alguma forma não são totalmente conscientes e mantém a pessoa em comportamentos automáticos, as vezes irracionais, que trazem desconforto em sua vida. Ele não consegue achar respostas no estado de vigília. Nestes momentos é que se aplica a Técnica de Vivência Transpessoal conhecida como regressão de memória. O paciente entra em estado de consciência alterado e o terapeuta lhe induz a trazer esses conteúdos relacionados à situação. O Inconsciente do paciente traz imagens com conteúdo emocional intenso que, após ser vivenciado e integrado, permite reformular alguns conceitos ou posicionamentos íntimos relacionados àquela experiência, que regiam certos comportamentos irracionais de sua vida cotidiana.
As imagens formadas na mente consciente do paciente e as emoções associadas têm uma lógica para a psique do paciente. Essa lógica é a que governa os comportamentos atuais. Se essas imagens se referem ao passado do paciente, ou é uma formação como a de um sonho, ou qualquer outra explicação que se queira dar, não é tão importante. Por isso prefiro dar a esta técnica o nome de Vivência Transpessoal.
O que se foca nesta técnica é a integração das emoções associadas a certos conteúdos mentais que foram formulados de forma parcial pela falta de uma percepção mais ampla dos fatos que envolviam a situação chamada traumática. Assim o paciente pode reformular a lógica dada para certas situações.
Uma situação traumática é aquela que gerou uma quantidade de emoção elevada e que ficou registrada na psique do paciente junto com uma lógica de entendimento da situação, uma "crença", que de alguma forma rege comportamentos atuais.
Exemplo: um paciente trouxe o sintoma de “sobrecarga com a responsabilidade sobre a vida dos familiares”. O foco da terapia foi as relações familiares, como se realizavam as transações familiares. Embora o paciente entendesse conscientemente que não devia assumir responsabilidades pelos outros não conseguia lidar com a culpa e o medo de dizer que “não” para os familiares.
Durante a Vivência Transpessoal o paciente trouxe a lembrança da morte do pai, que era quem lhe trazia a sensação de segurança. Ao pai morrer ele teve medo de se ficar sozinho e ao ver a mãe e os irmãos chorando ele adotou a postura de “ser forte” e dar essa proteção à toda a família, anteriormente dada pelo pai. Ou seja, ele tomou a identidade do pai protetor pelo medo de ficar sozinho. Essa identificação com o protetor diminuía o medo de ficar só e sem proteção. Esquecendo que era apenas irmão e filho, se sobrecarregou com as responsabilidades da família de origem.
Durante a “regressão”, ao vivenciar novamente o medo sentido no momento da morte do pai e integrá-lo, rompeu a associação mental “cuidar da família como o pai o fazia para não sentir medo de ficar sozinho”.
O paciente passou a tratar os familiares se comprometendo com o crescimento deles, permitindo que cada membro da família assumisse a responsabilidade de suas experiências de vida com as conseqüências que lhes cabia. Continuou ajudando os familiares dando conselhos de como enfrentar cada situação, mas não mais fazendo por eles. Abriu a possibilidade de se sentir frágil como os demais parentes, a não precisar “ser forte” e proteger os outros. Estabeleceu assim uma nova forma de relação com os familiares, mais integrada com a família onde todos saíssem beneficiados sem custos para ninguém.

A terapia breve focalizou esse problema do paciente e apósa resolução foi dada alta. O tempo de terapia deste caso foi de cinco meses.